sexta-feira, 12 de julho de 2013
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Amor perdido
Acho que foi o clima de natal que me
encorajou a escrever minha história. Poderia dizer que não passaria de uma
história comum se não tivesse passado por uma grande provação.
Eu tinha então
18 anos, e como toda moça tinha um namorado, meu primeiro amor. Talvez nem soubesse
o quanto nos amávamos, se algo não viesse ameaçar aquele sentimento tão sublime.
André era como chamava meu namorado, morava na minha cidade, onde morava com
uma irmã, pois seu pai era dono de uma pequena fazenda, que fazia divisa com as
terras de um tio meu, distante de nossa cidade.
E foi na fazenda que aconteceu a tragédia
que viria marcar nossas vidas para sempre.
Um dia chegou uma noticia que abalou as
nossas famílias, e foi terrível. Meu tio havia sido morto pelos capangas do pai
do André ,o crime foi causado por brigas de posses de terras. A revolta de minha
família foi geral, pois meu tio morreu inocente e atocaiado.
Dai para frente
começaram as pressões para que eu terminasse o namoro de imediato. Naquele momento todos estavam pensando em
ódio e vingança para dar ouvidos aos meus apelos, e pensar que eu e o André
nada tínhamos a ver com o ocorrido. É claro que eu também estava abalada, pois
além de ser um tio muito querido, ele era também meu padrinho.
Dali pra frente André também começou a sentir o drama, pois seu pai estava foragido e o ódio de
todos se voltava contra ele, ao ponto de ele ter que sair da cidade aonde
trabalhava e estudava. Todos o chamavam de filho do assassino. Ele foi
desprezado por todos, menos por mim que sofria junto com ele. E quando ele vinha apenas
para me ver, sempre tínhamos que nos encontrar as escondidas. Eu tornei a
suplicar ao meu pai que permitisse nosso namoro, mas ele foi duro e falou que
preferia me ver morta.
Senti
muito ódio em suas palavras e senti que ele não ia mudar de idéia. Apos alguns meses,
quando tudo se acalmou, o André voltou para cidade, e falou que nada ia nos, separar.
Aquela prova de amor me deu coragem, e jurei a ele que jamais ia deixar de
ama-lo e continuamos anos ver as escondidas, mas sempre que alguém nos via
juntos, contavam ao meu pai, que ficava muito bravo, minha vida em minha casa
se tornou em suportável, e um dia eu perdi a calma, e gritei ao meu pai, que
não adiantava me proibir de ver meu namorado, pois eu não iria obedece-lo, isto
me custou uma grande surra que deixou marcas profundas em meu corpo e também em
minha alma.
Meu pai ficou arrasado, e acho que estava
sofrendo mais que eu, pois ele nunca tinha me batido antes. Senti que a morte
violenta de meu tio, tinha acabado com nossa família, que se compunha de meu
pai, de mim e de minha avó paterna, que ficou no lugar de minha mãe que morreu
ao me dar a luz. E meus tios sempre que vinham nos visitar ficava falando do
ocorrido, o que deixava meu pai mais revoltado, por ver minha avó chorando a
morte do filho amado. Agora eu já nem falava com meu pai, e a situação ficou
pior, pois uma tarde eu estava falando com o André e a noite ele levou uma
surra, de três homens, e teve que ser internado, tal a violência sofrida eu
tinha certeza que foi a mando do meu pai e de meus tios. Fiquei arrasada e sem
saber o que fazer, eu estava sem saída. Pensei até em dar fim em minha vida.
Mas pensei melhor, e resolvi sumir. Sim eu teria que sumir daquele inferno que
se transformou minha vida. E já que eu não podia ser feliz, que ao menos o
André fosse, E comecei planejar minha fuga, para onde eu nem sabia. Naquele momento
eu pensei que meu pai me odiava, e que o único que ia sofrer era o André! Mas
viria o esquecimento, e a distancia seria o melhor remédio, para o nosso
sofrimento. Eu tinha uma soma em dinheiro, no banco e muitas jóias, com isso eu
podia partir para muito longe, sem ser achada continuei visitando o André que
estava se recuperando, e prestes a ter alta, não deixei que ele notasse minha angustia.
Lhe dei muitos beijos, o abracei, e disse adeus. E como eu tinha me proposto
uma semana depois eu parti, não deixei nem um recado, e levei uma maleta com
apenas o indispensável, fui tomando um ônibus, após outro. Viajei por muitos
dias, e minha ultima parada foi, em (MATO GROSSO) escolhi uma pequena cidade
para me instalar aluguei um quarto, em uma casa de família, logo arrumei um
colégio para dar aulas, quando cheguei tive vontade de voltar correndo, me
sentia perdida entre desconhecidos mas ao lembrar o porque da minha partida,
desisti. EU Tinha que ser forte, e enfrentar minha nova vida e passei a viver
de lembranças, e quando chegava noite eu ficava pensando, o que teria se
passado dês da minha partida, pois eu parti em uma véspera de natal! E um ano
se passou, já era dezembro, e o clima de natal já se fazia anunciar, e a
saudades eram mais fortes.
Eu me recordava de tudo que deixei para
traz, e ficava me perguntando, será que o André já se esqueceu de mim? Por
muitas vezes eu escrevi longas cartas, para ele e meu pai, mas como tantas
outras acabavam no cesto do lixo, molhadas pelas minhas lagrimas. Eu queria
levar minha vida para outro rumo, até comecei alguns namoros, mas não conseguia
me apegar a ninguém, e minha vida era muito solitária. Cheguei há conclusão que
jamais poderia substituir o meu primeiro amor. Pois todas as noites eu dormia pensando
nele. E os anos passaram, um natal, outro natal, e a cada ano que passava! Mais
medo eu tinha de voltar. Eu ficava sentada no jardim de casa nas noites quentes
de MATO GROSSO e tudo fazia lembrar o meu passado, o canto das cigarras, os vaga-lumes,
e até uma estrela cadente que riscava o céu, e que por tantas vezes eu e meu
amor fizemos um pedido para que fossemos eternamente felizes. Eu agora já
estava com 25 anos sem os ter vivido, e já tinha esquecido o que era ser jovem.
E a sensação esmagadora, do que tudo que eu fiz foi em vão. Quando eu parti não
sabia se o que eu estava fazendo, era pra melhorar ou destruir minha vida. Só
sei que uma melancolia começou tomar conta de mim. Eu tinha que fazer algo para
provar que meu sacrifício não foi em
vão. Um dia abri um baú onde tinha jornais velhos e comecei a
ler, o que li me deixou pasma, era um anuncio em letras garrafais, na seção de
procura-se. Era do André, me pedindo que onde eu estivesse, para me comunicar
com ele, pois estava esperando por mim.
.
Uma
enorme alegria tomou conta de mim, e depois de muito tempo eu estava feliz. Mas
foi uma felicidade de momentos, pois o jornal era datado de cinco anos atrás.
Agora
eu me dava conta que o tempo passou, e o André já devia estar casado, e com filhos,
mas um raio de esperança brotou em meu coração. E se ele ainda estiver me
esperando? Tive vontade de voltar, mas um estranho medo minava minha alma. E
mais um ano passou. Até que eu criei coragem, eu sabia que muita coisa havia
mudado, mas eu também mudara, o sofrimento me fez amadurecer, e eu me achava
com coragem para ver de perto o que mudou na minha prolongada ausência, tinha
que ver de perto tudo que mudou na minha prolongada ausência. E mais uma vez
com uma maleta pequena com poucas coisas eu estava, voltando. Quando o ônibus
Parou
na minha cidade, eu senti a sensação que
desci na cidade errada, tudo estava diferente, as pessoas, nem um rosto
conhecido, tudo tinha mudado, a cidade tinha crescido. Criei coragem e fui, até
em frente da mercearia que era de meu pai, e onde também era minha casa, mas
ali estava um grande supermercado. Eu me senti perdida! Sentei em um banco do
jardim, o único que não mudou, o relógio da igreja marcava 11 horas da manha. Mais
uma vez o desespero tomou conta de mim, e tive vontade de partir desta vida,
pois ninguém sentiria minha falta. Fiquei ali por muito tempo, até que uma
senhora idosa sentou ao meu lado, trouxe os netos para brincar, E começamos
conversar, ela conhecia todos por ali, e foi me falando tudo que eu queria
ouvir. A primeira punhalada, meu pai havia falecido ha três anos. Minha avó
querida, também já se fora deste mundo, enquanto ela falava, eu chorava amargamente
a perda de meus entes queridos. A senhora me convidou para ir pra sua casa, para
me ajudar a encontrar algum, parente. Mas do André ela nada sabia, ha tarde fui
visitar o tumulo do meu pai, ali estava sua foto, seu rosto amado que ha tanto
tempo eu não via, mas era só uma foto, meu pai querido estava perdido para
sempre. Ao lado minha querida avó, que saudades. Quando parti, pensei que já
não amava mais meu pai, mas agora diante do seu tumulo, senti o quanto o amei.
Depois, fomos procurar uma tia, irmã de meu pai. Agradeci á senhora que me
ajudou e fiquei na casa dela, pois ela podia me contar detalhes sobre a morte
de meu pai. Eu ia ouvindo e ficando mais triste, pois me disse que meu pai
falou até a hora de sua morte, que ia viver para assistir a mina chegada. Mas
não viveu. E no seu ultimo suspiro dos seus olhos brotarão lagrimas, que ela tinha
certeza que foram por mim, pois ele morreu olhando para a porta na esperança de
me ver entrar. Ela me falou ainda que depois que parti, ele se uniu ao André, e
me procuraram durante anos em todos os meios de Comunicações possíveis, mas só
encontrarão pistas falsas, mas minha tia nunca mais tinha visto o André. Depois
fomos procurar a irmã dele, quando cheguei tive que me apresentar, pois ela não
me reconheceu. Mas quando ouviu meu nome, ficou pálida, parecia estar vendo um
fantasma. Depois me abraçou e começou a chorar. Ela repetiu tudo que minha tia
me falou, que meu pai e seu irmão se unirão para me procurar, até o dia que meu
pai descobriu que estava com câncer, mas seu irmão procurou. Até, de repente
ela parou de falar, Eu senti que era o pior, que ela tinha para me dizer, e com
voz tremula falou! Até o dia do acidente, que foi fatal e assim terminou sua
busca exaustiva. Meus olhos estavam esbugalhados. Para mim foi o tiro de
misericórdia. Senti minha ultima esperança morta, Já não tinha mais forças para
continuar vivendo, Soube também que ele largou o emprego, e saiu pelo mundo, apenas
com uma mochila nas costas. Virando quase em andarilho, me buscando dia e
noite. Ás vezes viajava de carona espalhando cartazes por todos os lugares que
passava. O acidente aconteceu no Paraná, não foi possível fazer o translado do
corpo para a nossa cidade natal, pois seu corpo ficou mutilado, e ele foi
sepultado em Curitiba, neste momento o que eu mais queria era visitar seu
tumulo, sua ultima morada. No dia seguinte viajei cedo para Curitiba, ao chegar!
Em frente ao cemitério, quase desmaiei, e ao chegar a sua ultima morada, senti
que ali era o término do caminho. Era uma tarde de domingo chuvosa, mas eu nem
sentia a chuva caindo no meu rosto, se misturando com as minhas lagrimas. Que
ironia quando parti foi querendo que ao menos ele fosse feliz. Fiquei ali, nem
vi as horas passar, até que o porteiro do cemitério disse que ia fechar o
portão. Sai dali tão pequenina, fraca e incapaz, tinha a impressão que matei a
todos, me senti! Julgada, e condenada por eu mesma. Hoje eu sei que só fugi
naquela época, por imaturidade, pois fui uma criança mimada demais, sem nunca
ter sofrido, se eu fosse mais madura, talvez tivesse capacidade para lutar por
aquilo que eu mais queria na minha juventude. Agora eu só, mergulhada neste
posso negro de tristeza, infelicidade, lagrimas, amargura e solidão. Aprendi que
tem coisas que não tem volta que existem situações irreversíveis. Quando voltei
não teve apelo, choros ou revoltas, que trouxessem meu mundo de volta. Só me
restou o sentimento de perda e frustração. Eu tinha que ter fé em alguma coisa
para continuar vivendo, e me apeguei com Deus este ser tão bondoso e superior
me trouxe um pouco de conforto. Pois quem está só precisa aprender a pedir
ajuda. E daqui para frente tenho que tentar esquecer sem lamentar, respirar
fundo e prosseguir. No final dessa deixo a seguinte mensagem ao meu amor. Querido
André cheguei muito tarde, houve um desencontro você partiu primeiro, como eu
queria que ao menos você pudesse ter sido feliz. Eu me sacrifiquei por você, e
você por mim. E nosso sacrifício foi em vão
Depois
de tudo que sofremos, acho que teremos a
paz, que tanto procuramos após a morte. O destino nos fez ficar separados na
vida! Sei que você continuará me amando como
eu enquanto viver não te esquecerei. Meu
único alento é saber que um dia nos reencontraremos com certeza. E ai será para
sempre, continue me esperando onde estiveres, pois o caminho que me levará até
você só Deus um dia poderá me mostrar. Que Deus proteja teu sono, e tenha pena
dos nossos corações que um dia voltarão a se encontrar na eternidade.
Domingo no parque
Era uma casa tão linda aonde eu vivi, e fui muito feliz, meus pais estavam sempre presentes. Lembro que tinha um pomar com muitas frutas, um jardim colorido de flores. Aos Domingos tinha missa, eu sabia as orações de cor, frequentávamos todas as festas religiosas. Mas nossa rotina foi quebrada, pela morte repentina de meu pai. Foi quando tudo mudou, minha casa ficou tão vazia e triste. Minha mãe não teve forças para levar aquele lar adiante, entrou em depressão, e jamais voltou ao seu estado normal. Estava longe de ser aquela mulher feliz de antes.
A única renda que nos restou foi a que meu pai economizou a vida toda, e também a casa que era própria. Algum tempo depois ela teve que vender nossa casa, pois o dinheiro estava acabando, e logo teve muitos compradores. Ela vendeu pela melhor oferta, foi vendida para dona Anita que era conhecida de minha mãe, e pagou a vista. Mas fizeram um contrato em cartório que um quarto ficaria para nos morar ate que eu completasse 21 anos estando ela viva ou não.
E assim fomos vivendo, com muita economia, eu comecei a ter problemas na escola, o tão famoso Bullying sempre existiu. Eu estava muito magra, e alta para a minha idade, e me colocarão um monte de apelido. Acabei deixando a escola na quinta serie. Comecei a me achar horrível, e não tinha mais coragem de sair na rua, minha mãe falava que eu devia voltar para escola, pois estava na faze de crescimento, Mas eu não me conformava, com 14 anos eu já media um metro e sessenta e cinco. Meus cabelos também eu não gostava, Enfim agora eu já não gostava mais de sair na rua, tinha certeza que ia ser criticada por todos.
O parque ficava bem perto de onde eu morava minha maior alegria era ir brincar aos domingos, acompanhada pelos meus pais, foi lá que passei parte da minha infância e no parque não quis mais voltar.
Vi que minha mãe não se conformou com a morte de meu pai, e sua aparecia já era o de uma pessoa doente, eu fazia tudo para animá-la, mas eu também estava muito fragilizada pela falta de apoio dela, pois não tinha forças nem para ela. Mesmo assim se preocupava muito comigo, e com meu problema, mas não sobreviveu, a depressão a levou de mim para sempre.
Agora eu estava realmente só, pois dona Anita nem me notava. Minha mãe antes de morrer deixou o dinheiro da venda da casa com ela para que cuidasse de mim e o dinheiro que deixou era para suprir minhas necessidades, mas a única coisa que me dava, era o café da manha almoço e o jantar.
Mas me avisou que minha mãe me deixou muito pouco, e falou que eu devia procurar um emprego. Jamais vou sair para procurar emprego, pensei para todo mundo rir de mim fico aqui mesmo. Um dia olhei na janela e notei que o inverno já se fazia anunciar era um dia frio de garoa, não tinha quase ninguém na rua, os poucos transeuntes estavam com capas e guarda chuvas.
Achei que eu podia ir até o parque sem ser notada. Fui até o guarda roupas, e tirei um casaco antigo que foi da minha mãe, era bem comprido era o que eu queria, puxei a gola e coloquei um gorro, e sai correndo para o parque, como estava feliz, não havia ninguém por lá o parque era só meu.
Escolhi um banco que era coberto, e ali ficou sendo o meu lugar preferido todos os outros estavam vazios. Das arvores caiam pingos motivados pela garoa. Á como me sentia feliz, percorri todos os lugares me lembrei de meus pais! Dos verões onde fui tão feliz! Sabia que o tempo não volta, mas eu queria viver ser feliz de novo, e sentada no meu banco eu ficava olhando as pessoas encolhidas com seus agasalhos pesados. E assim eu podia ir todos os dias de inverno sem ser notada. Um dia ao chegar deparei com um desconhecido sentado no meu banco. Dei meia volta e fui procurar outro lugar para sentar, mas fiquei muito chateada, pois a garoa não dava trégua. No dia seguinte levei uma sombrinha, e lá estava o impostor sentado no meu lugar. Sentei num banco próximo, pois um dia antes ele nem me notou.
Fiquei espiando do canto do olho, ele estava com um livro na Mao, olhar distante, notei que era bastante magro e muito pálido suas roupas eram um pouco surradas. De repente ele levantou, achei que ia embora, ele me olhou e perguntou! Você vive me olhando! Já lhe vi muitas vezes por aqui, e sempre me espiando.
Sai correndo e só parei no portão para respirar, estava tão frio, tomei um banho quente e fui para debaixo dos cobertores.
Deixei passar alguns dias e voltei, suspirei meu lugar, estava lá, sem ninguém para me atrapalhar. Passados alguns minutos, senti uma mão segurando meu braço, era o próprio, senti um calafrio, porque você sentou no meu lugar? Achei engraçado, agora o banco tinha dois donos. Quando olhei seu rosto, não foi um impostor que vi,
Era apenas um jovem, com olheiras, e rosto triste. Pensei! Acho que ele se parece comigo, pois só vem aqui em dias nublados, para se esconder de olhares curiosos. Respirei fundo e perguntei você só vem aqui no inverno? Ele me olhou espantado e falou, a então você fala? É verdade como você adivinhou, não gosto de me expor sou apenas um farrapo humano, sei que sou muito feio, estou muito magro, e estou doente, mas logo vou ficar melhor, e ninguém vai mais zombar de mim.
Você realmente está muito magro, mas não estou vendo nem um farrapo. Eu é que sou horrível, abri o casaco, olha sou um espantalho, sou chacota de todo mundo, não pude nem frequentar a escola todos riam de mim.
Agora ele olhou meu corpo embaixo do vestido transparente, e falou, e você qual o apelido que vai me dar? Ele arregalou os olhos surpreso! Você já se olhou no espelho? Disse, não já quebrei meu espelho, faz muito tempo! E perguntou! Quantos anos você tem? 15 falei! Você é linda tem um corpo perfeito seus seios e pernas, é de dar inveja a muitas garotas de sua idade. Pode acreditar estou falando a verdade, seus cabelos assim cacheados e longos lhe caem muito bem, não se esconda mais embaixo deste casaco. Fiquei tão corada que parecia que ia morrer de tanta vergonha.
Fechei o casaco tão rápido e sai correndo sem poder encara-lo, ele falou volte amanha. Quando entrei em casa tremia inteira, via diante de mim aqueles olhos tristes e fundos. No dia seguinte me enchi de coragem, e fui ao seu encontro, Ele estava no mesmo banco me esperando, ficamos conversando, me contou tudo sobre sua vida, disse que morava no fundo de uma fabrica aonde trabalhou por cinco anos, só que teve que se afastar por motivo de doença, pois fabricavam caixas de madeira para diversos fins, e o pó de madeira serrada lhe prejudicou, estava com problema pulmonar, mas logo ficarei bom estou me tratando me disse ainda, que o dono da fabrica o ajudava com remédios lhe deu a casa para morar, e lhe pagava um salário para se alimentar. Comecei a contar minha vida, falei que era só no mundo, e disse que nossas vidas eram parecidas, eu só não estou doente.
Fiquei feliz, pois agora eu tinha um amigo, de verdade. Ele perguntou se poderia me acompanhar até o portão falou que morava bastante perto do meu bairro. Ficamos conversando, durante alguns minutos no portão. De repente pente D. Anita apareceu gritando que já estava desconfiada, que eu saia todo dia atrás de homens, me perguntou se eu estava virando vadia, e falou! Junte tudo que é seu e vá embora, você mesmo quebrou nosso contrato.
O Davi quis reagir, mas lhe falei que era apenas mais uma das injustiças que por muitas vezes já havia sentido na pele. Ao ver minha aflição me falou! Vamos para minha casa. Ele me ajudou com as minhas malas e mais alguns pertences. No caminho me falou que sua casa era pequena, mas cabia mais um. Eu estava com muita vergonha, tinha medo que ele podia pensar mal de mim. Ao chegar ele providenciou uma sopa com legumes, e matei minha fome, logo depois ele me mostrou a casa, com apenas três peças, quarto, cozinha e banheiro, vi uma corda esticada com suas roupas penduradas, um fogão de lenha, uma pequena mesa, algumas panelas, pratos e talheres.
A Cama era muito pequena feita por ele, era só o que ele tinha, vi que sua miséria era maior que a minha. Juntamos todas as coisas que eu trouxe e ficou um pouco melhor. Ele separou o pequeno quarto com um lençol em um arame, e cada um tinha o seu canto, para dormir.
Depois começou a contar sua vida, falou que não gostava muito de sair em dias ensolarados, porque era alvo de brincadeiras de mau gosto, por ser tão magro, e o discriminavam porque tinha um surto de tuberculose na cidade e achavam que ele era portador desse mal. É você me falou que tem uma infecção do Pó de madeira, mas tomando todos os remédios logo vai ficar com saúde e engordar um pouco. Podemos todos os dias ir ao parque não importa a estação. Resolvi procurar dona Anita para que me devolvesse o dinheiro que minha mãe havia deixado, em troca eu daria o contrato que ela quebrou.
E assim ela com medo me devolveu uma parte do que era meu. E dali para frente, fomos mais felizes, tínhamos sempre comida, e comecei a engordar um pouco, agora eu já gostava de minha aparência e minha alto estima voltou.
O Davi estava mais alegre, já não tinha mais aquele olhar de moço triste, fazia muitos planos para quando ficasse bom, e em seus planos eu sempre estava incluída. Mas eu andava tão preocupada com sua aparência, notei que ele estava piorando dia a dia. Andava tão fraco e já nem queria sair de casa, mas tinha certeza que logo ficaria bom. Em dias de sol eu sempre o levava em uma praça em frente de casa, eu queria colocar, meu antigo casaco ele me dizia que não era mais para me esconder você e linda. Eu o agradecia por me devolver a alegria e a vontade de viver.
Um dia lhe pedi para ir há outro medico, porque ele tinha febre com frequência. Mas mesmo assim ele continuava fazendo planos, queria voltar a estudar e trabalhar E falava que eu teria que terminar meus estudos com ele.
Um dia ele me disse que me amava, perguntou se quando ele estivesse curado me casaria com ele. Para mim foi uma surpresa, eu não sabia nada sobre amor só de amizade, lhe falei que não sabia, mas disse que não queria perde-lo.
Depois fiquei pensando, será que é amor que sinto por ele? Pedi a Deus para que nunca nos separasse. E continuávamos fazendo planos só que eles iam além dos considerados razoáveis.
Um dia pela manha ele não levantou para o café matinal, fui acorda-lo ele estava, com muita febre e começou a tossir, e vi que do canto da boca escorria um filete de sangue, sai gritando por socorro e um vizinho veio em meu auxilio lhe transportando para o hospital, deitei sua cabeça e meu colo, fiquei ali sentada em um banco esperando por noticia, até que o medico apareceu, e falou, fique tranquila que amanhã ele estará bem não vai ter mais nada, para mim foi a melhor noticia, sai correndo, deixei a casa toda cheirosa, coloquei flores na jarra e por fim fui dormir, só acordando no dia seguinte, deixei a comida pronta, fui buscá-lo. Levei uma maçã vermelha que era a fruta que ele mais gostava, e fui direto para o quarto doze, que o medico falou que ele ficaria. Mas o encontrei vazio, deixei a maçã sobre a mesa e fui a sua procura. Encontrei um rapaz vestido de branco, perguntei pelo Davi, ele pediu para acompanha-lo, o segui por diversos corredores e finalmente ele abriu uma porta, quando entramos ele puxou uma gaveta, e perguntou você veio reconhecer o corpo? Não entendi mais nada tive que, apoiar a cabeça começou a girar e fui parar no chão, quando acordei, senti um cheiro forte de clorofórmio. Desculpe moça pensei que você tinha vindo reconhecer o corpo! O que? O Davi morreu? Comecei a soluçar, mas o médico me falou que hoje estaria bom, não teria mais nada.
O rapaz pediu para eu olhar só mais uma vez, e falei! Sim é ele. Ele estava muito mal se tratava aqui, o medico falou que não teria mais volta parou de sofrer. Olhei mais uma vez e reconheci seu rosto triste e imóvel, mas não era mais ele que estava ali. Só restou um invólucro vazio ele tinha partido para sempre. Fiquei aniquilada tinha perdido tudo de bom que tinha na vida, só eu sei o quanto senti sua falta, o quanto chorei a morte daquele que tinha representado tanto na minha vida, pai, irmão, amigo, e talvez um grande amor. E pensando em nossos sonhos, que os realizei sozinha, continuei morando na mesma casa! Voltei a estudar, trabalhar, até ser independente. Coloquei uma pequena foto, e seu tumulo estará sempre cheio de flores...
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