quarta-feira, 3 de julho de 2013

Amor perdido


      
           Acho que foi o clima de natal que me encorajou a escrever minha história. Poderia dizer que não passaria de uma história comum se não tivesse passado por uma grande provação.
           Eu tinha então 18 anos, e como toda moça tinha um namorado, meu primeiro amor. Talvez nem soubesse o quanto nos amávamos, se algo não viesse ameaçar aquele sentimento tão sublime. André era como chamava meu namorado, morava na minha cidade, onde morava com uma irmã, pois seu pai era dono de uma pequena fazenda, que fazia divisa com as terras de um tio meu, distante de nossa cidade.
            E foi na fazenda que aconteceu a tragédia que viria marcar nossas vidas para sempre.
           Um dia chegou uma noticia que abalou as nossas famílias, e foi terrível. Meu tio havia sido morto pelos capangas do pai do André ,o crime foi causado por brigas de posses de terras. A revolta de minha família foi geral, pois meu tio morreu inocente e atocaiado.
           Dai para frente começaram as pressões para que eu terminasse o namoro de imediato.  Naquele momento todos estavam pensando em ódio e vingança para dar ouvidos aos meus apelos, e pensar que eu e o André nada tínhamos a ver com o ocorrido. É claro que eu também estava abalada, pois além de ser um tio muito querido, ele era também meu padrinho.
           Dali pra frente André também começou a sentir o drama, pois seu pai estava foragido e o ódio de todos se voltava contra ele, ao ponto de ele ter que sair da cidade aonde trabalhava e estudava. Todos o chamavam de filho do assassino. Ele foi desprezado por todos, menos por mim que sofria junto com ele. E quando ele vinha apenas para me ver, sempre tínhamos que nos encontrar as escondidas. Eu tornei a suplicar ao meu pai que permitisse nosso namoro, mas ele foi duro e falou que preferia me ver morta.

    Senti muito ódio em suas palavras e senti que ele não ia mudar de idéia. Apos alguns meses, quando tudo se acalmou, o André voltou para cidade, e falou que nada ia nos, separar. Aquela prova de amor me deu coragem, e jurei a ele que jamais ia deixar de ama-lo e continuamos anos ver as escondidas, mas sempre que alguém nos via juntos, contavam ao meu pai, que ficava muito bravo, minha vida em minha casa se tornou em suportável, e um dia eu perdi a calma, e gritei ao meu pai, que não adiantava me proibir de ver meu namorado, pois eu não iria obedece-lo, isto me custou uma grande surra que deixou marcas profundas em meu corpo e também em minha alma.

    Meu pai ficou arrasado, e acho que estava sofrendo mais que eu, pois ele nunca tinha me batido antes. Senti que a morte violenta de meu tio, tinha acabado com nossa família, que se compunha de meu pai, de mim e de minha avó paterna, que ficou no lugar de minha mãe que morreu ao me dar a luz. E meus tios sempre que vinham nos visitar ficava falando do ocorrido, o que deixava meu pai mais revoltado, por ver minha avó chorando a morte do filho amado. Agora eu já nem falava com meu pai, e a situação ficou pior, pois uma tarde eu estava falando com o André e a noite ele levou uma surra, de três homens, e teve que ser internado, tal a violência sofrida eu tinha certeza que foi a mando do meu pai e de meus tios. Fiquei arrasada e sem saber o que fazer, eu estava sem saída. Pensei até em dar fim em minha vida. Mas pensei melhor, e resolvi sumir. Sim eu teria que sumir daquele inferno que se transformou minha vida. E já que eu não podia ser feliz, que ao menos o André fosse, E comecei planejar minha fuga, para onde eu nem sabia. Naquele momento eu pensei que meu pai me odiava, e que o único que ia sofrer era o André! Mas viria o esquecimento, e a distancia seria o melhor remédio, para o nosso sofrimento. Eu tinha uma soma em dinheiro, no banco e muitas jóias, com isso eu podia partir para muito longe, sem ser achada continuei visitando o André que estava se recuperando, e prestes a ter alta, não deixei que ele notasse minha angustia. Lhe dei muitos beijos, o abracei, e disse adeus. E como eu tinha me proposto uma semana depois eu parti, não deixei nem um recado, e levei uma maleta com apenas o indispensável, fui tomando um ônibus, após outro. Viajei por muitos dias, e minha ultima parada foi, em (MATO GROSSO) escolhi uma pequena cidade para me instalar aluguei um quarto, em uma casa de família, logo arrumei um colégio para dar aulas, quando cheguei tive vontade de voltar correndo, me sentia perdida entre desconhecidos mas ao lembrar o porque da minha partida, desisti. EU Tinha que ser forte, e enfrentar minha nova vida e passei a viver de lembranças, e quando chegava noite eu ficava pensando, o que teria se passado dês da minha partida, pois eu parti em uma véspera de natal! E um ano se passou, já era dezembro, e o clima de natal já se fazia anunciar, e a saudades eram mais fortes.

     Eu me recordava de tudo que deixei para traz, e ficava me perguntando, será que o André já se esqueceu de mim? Por muitas vezes eu escrevi longas cartas, para ele e meu pai, mas como tantas outras acabavam no cesto do lixo, molhadas pelas minhas lagrimas. Eu queria levar minha vida para outro rumo, até comecei alguns namoros, mas não conseguia me apegar a ninguém, e minha vida era muito solitária. Cheguei há conclusão que jamais poderia substituir o meu primeiro amor. Pois todas as noites eu dormia pensando nele. E os anos passaram, um natal, outro natal, e a cada ano que passava! Mais medo eu tinha de voltar. Eu ficava sentada no jardim de casa nas noites quentes de MATO GROSSO e tudo fazia lembrar o meu passado, o canto das cigarras, os vaga-lumes, e até uma estrela cadente que riscava o céu, e que por tantas vezes eu e meu amor fizemos um pedido para que fossemos eternamente felizes. Eu agora já estava com 25 anos sem os ter vivido, e já tinha esquecido o que era ser jovem. E a sensação esmagadora, do que tudo que eu fiz foi em vão. Quando eu parti não sabia se o que eu estava fazendo, era pra melhorar ou destruir minha vida. Só sei que uma melancolia começou tomar conta de mim. Eu tinha que fazer algo para provar que meu sacrifício não foi em vão. Um dia abri um baú onde tinha jornais velhos e comecei a ler, o que li me deixou pasma, era um anuncio em letras garrafais, na seção de procura-se. Era do André, me pedindo que onde eu estivesse, para me comunicar com ele, pois estava esperando por mim.

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Uma enorme alegria tomou conta de mim, e depois de muito tempo eu estava feliz. Mas foi uma felicidade de momentos, pois o jornal era datado de cinco anos atrás.

Agora eu me dava conta que o tempo passou, e o André já devia estar casado, e com filhos, mas um raio de esperança brotou em meu coração. E se ele ainda estiver me esperando? Tive vontade de voltar, mas um estranho medo minava minha alma. E mais um ano passou. Até que eu criei coragem, eu sabia que muita coisa havia mudado, mas eu também mudara, o sofrimento me fez amadurecer, e eu me achava com coragem para ver de perto o que mudou na minha prolongada ausência, tinha que ver de perto tudo que mudou na minha prolongada ausência. E mais uma vez com uma maleta pequena com poucas coisas eu estava, voltando. Quando o ônibus

Parou  na minha cidade, eu senti a sensação que desci na cidade errada, tudo estava diferente, as pessoas, nem um rosto conhecido, tudo tinha mudado, a cidade tinha crescido. Criei coragem e fui, até em frente da mercearia que era de meu pai, e onde também era minha casa, mas ali estava um grande supermercado. Eu me senti perdida! Sentei em um banco do jardim, o único que não mudou, o relógio da igreja marcava 11 horas da manha. Mais uma vez o desespero tomou conta de mim, e tive vontade de partir desta vida, pois ninguém sentiria minha falta. Fiquei ali por muito tempo, até que uma senhora idosa sentou ao meu lado, trouxe os netos para brincar, E começamos conversar, ela conhecia todos por ali, e foi me falando tudo que eu queria ouvir. A primeira punhalada, meu pai havia falecido ha três anos. Minha avó querida, também já se fora deste mundo, enquanto ela falava, eu chorava amargamente a perda de meus entes queridos. A senhora me convidou para ir pra sua casa, para me ajudar a encontrar algum, parente. Mas do André ela nada sabia, ha tarde fui visitar o tumulo do meu pai, ali estava sua foto, seu rosto amado que ha tanto tempo eu não via, mas era só uma foto, meu pai querido estava perdido para sempre. Ao lado minha querida avó, que saudades. Quando parti, pensei que já não amava mais meu pai, mas agora diante do seu tumulo, senti o quanto o amei. Depois, fomos procurar uma tia, irmã de meu pai. Agradeci á senhora que me ajudou e fiquei na casa dela, pois ela podia me contar detalhes sobre a morte de meu pai. Eu ia ouvindo e ficando mais triste, pois me disse que meu pai falou até a hora de sua morte, que ia viver para assistir a mina chegada. Mas não viveu. E no seu ultimo suspiro dos seus olhos brotarão lagrimas, que ela tinha certeza que foram por mim, pois ele morreu olhando para a porta na esperança de me ver entrar. Ela me falou ainda que depois que parti, ele se uniu ao André, e me procuraram durante anos em todos os meios de Comunicações possíveis, mas só encontrarão pistas falsas, mas minha tia nunca mais tinha visto o André. Depois fomos procurar a irmã dele, quando cheguei tive que me apresentar, pois ela não me reconheceu. Mas quando ouviu meu nome, ficou pálida, parecia estar vendo um fantasma. Depois me abraçou e começou a chorar. Ela repetiu tudo que minha tia me falou, que meu pai e seu irmão se unirão para me procurar, até o dia que meu pai descobriu que estava com câncer, mas seu irmão procurou. Até, de repente ela parou de falar, Eu senti que era o pior, que ela tinha para me dizer, e com voz tremula falou! Até o dia do acidente, que foi fatal e assim terminou sua busca exaustiva. Meus olhos estavam esbugalhados. Para mim foi o tiro de misericórdia. Senti minha ultima esperança morta, Já não tinha mais forças para continuar vivendo, Soube também que ele largou o emprego, e saiu pelo mundo, apenas com uma mochila nas costas. Virando quase em andarilho, me buscando dia e noite. Ás vezes viajava de carona espalhando cartazes por todos os lugares que passava. O acidente aconteceu no Paraná, não foi possível fazer o translado do corpo para a nossa cidade natal, pois seu corpo ficou mutilado, e ele foi sepultado em Curitiba, neste momento o que eu mais queria era visitar seu tumulo, sua ultima morada. No dia seguinte viajei cedo para Curitiba, ao chegar! Em frente ao cemitério, quase desmaiei, e ao chegar a sua ultima morada, senti que ali era o término do caminho. Era uma tarde de domingo chuvosa, mas eu nem sentia a chuva caindo no meu rosto, se misturando com as minhas lagrimas. Que ironia quando parti foi querendo que ao menos ele fosse feliz. Fiquei ali, nem vi as horas passar, até que o porteiro do cemitério disse que ia fechar o portão. Sai dali tão pequenina, fraca e incapaz, tinha a impressão que matei a todos, me senti! Julgada, e condenada por eu mesma. Hoje eu sei que só fugi naquela época, por imaturidade, pois fui uma criança mimada demais, sem nunca ter sofrido, se eu fosse mais madura, talvez tivesse capacidade para lutar por aquilo que eu mais queria na minha juventude. Agora eu só, mergulhada neste posso negro de tristeza, infelicidade, lagrimas, amargura e solidão. Aprendi que tem coisas que não tem volta que existem situações irreversíveis. Quando voltei não teve apelo, choros ou revoltas, que trouxessem meu mundo de volta. Só me restou o sentimento de perda e frustração. Eu tinha que ter fé em alguma coisa para continuar vivendo, e me apeguei com Deus este ser tão bondoso e superior me trouxe um pouco de conforto. Pois quem está só precisa aprender a pedir ajuda. E daqui para frente tenho que tentar esquecer sem lamentar, respirar fundo e prosseguir. No final dessa deixo a seguinte mensagem ao meu amor. Querido André cheguei muito tarde, houve um desencontro você partiu primeiro, como eu queria que ao menos você pudesse ter sido feliz. Eu me sacrifiquei por você, e você por mim. E nosso sacrifício foi em vão

Depois de tudo que sofremos, acho que  teremos a paz, que tanto procuramos após a morte. O destino nos fez ficar separados na vida!  Sei que você continuará me amando como eu enquanto viver não te esquecerei.  Meu único alento é saber que um dia nos reencontraremos com certeza. E ai será para sempre, continue me esperando onde estiveres, pois o caminho que me levará até você só Deus um dia poderá me mostrar. Que Deus proteja teu sono, e tenha pena dos nossos corações que um dia voltarão a se encontrar na eternidade.

      

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