sexta-feira, 12 de julho de 2013


Quinto mandamento    

     E dizer que quando o destino determina nada pode mudar o rumo dos acontecimentos....

Minha vida correu normal até os meus 22 anos, eu estava noivo, com a data do casamento marcada para o mês de maio. Tudo corria bem, pois amava e era amado.

      Minha família se compunha de meu pai, mãe e cinco filhos - três homens e duas mulheres.  Trabalhávamos todos em nossa alfaiataria montada em nossa casa. 

       Um imprevisto veio a mudar nossos planos. A mãe de minha noiva veio a falecer de um mal súbito e achamos por bem adiarmos o casamento, por aproximadamente três meses, fiquei muito chateado, pois estava tudo pronto, nossa casa que seria o nosso ninho de amor, o meu terno, o vestido de noiva, os móveis, e até o enxoval já estava no seu devido lugar, o jardim que juntos plantamos já estava cheio de flores, permanecíamos muito tempo juntos fazendo planos e aprimorando nosso lar.

       Todos os dias eu a esperava na saída do trabalho para levar até sua casa só que comecei notar que estava diferente,  quase não conversava comigo e nem contava as novidades do dia, a principio pensei que fosse pela falta da mãe  mas logo percebi que era só comigo que ela mudou.

        Um dia notei através da vidraça que ela conversava animadamente com um rapaz, perguntei a ela quem era e respondeu que era um funcionário novo. 

      Todos os dias era a mesma coisa, eu ficava esperando enquanto ela ficava conversando com o suposto amigo. Reclamei e ela me falou que não fosse mais buscá-la e respondeu que já nem podia mais conversar com amigos. Nosso relacionamento esfriou, pois eu sempre acabava falando sozinho.

        Fui até sua casa para falar com ela na frente do pai, mas ela pouco falou, me pediu um tempo dizendo que já não estava mais certa dos seus sentimentos. Fiquei aflito, pois a amava loucamente.

      Esperei três dias e telefonei, me falou que era melhor terminar pois estava gostando do amigo de trabalho e pediu ainda para que devolvesse tudo que era dela que ela faria o mesmo, inclusive a  aliança.

      Voltei para a casa onde seria nosso lar, estava arrasado, naquele momento a vida perdeu a graça, não fazia mais nada direito, tinha uma ideia fixa de reconquistá-la á qualquer preço. Fiz uma ultima tentativa, telefonei mais uma vez, mas ela estava inflexível, lhe pedi mais uma chance, ela desligou o telefone.

      Abri uma gaveta onde estava uma pequena caixinha, ali estava tudo que restou dos três anos de namoro e noivado, cartas cheias de promessas, bilhetes apreçados, e muitas fotos, peguei  aquela que eu mais gostava  onde ela sorria feliz, no verso ela escreveu uma dedicatória! “Para os olhos lembrarem quando o coração esquece” foi demais pra mim, abaixo da foto eu escrevi: “Hoje ainda te matarei querida”.

       Acho que quando um ser humano se encontra deprimido e fragilizado mil demônios tomam conta dele, foi o que aconteceu comigo, mandei um mensageiro entregar tudo que era dela, pedi que ele entregasse o envelope separado com a foto.

      Fui até a casa de meus pais e peguei escondido o revolver que era do meu pai, e fiquei a sua espera escondido.

      Já estava escurecendo ,era por volta das 18h30 quando ela deixou o serviço, notei que seu pai estava a sua espera, eles caminhavam uns três quilômetros a pé até sua casa, acho  que ela estava com medo de ir sozinha após ter recebido aquela mensagem macabra.                 

     Fui seguindo e me esgueirando, parecia que uma força maligna se apoderou de mim, mais ou menos no meio do caminho surgiu uma oportunidade, ela ficou sozinha por instantes, seu pai entrou em um bar talvez para comprar cigarros, me aproximei e  ali estava ela, uma presa fácil e indefesa,  acho que mais uma vez a força do mal me dominou, ergui a arma e dei três tiros a queima roupa, vi quando ela caiu, as pessoas correndo e gritando, guardei a arma e sai, a partir  daquele momento começou meu calvário, o arrependimento veio em seguida, e minha consciência começou a me atormentar.

      Sai para o hospital, sabia que ela seria levada para lá, com a esperança que os tiros não fossem fatais.

      Estava uma confusão, perguntei a uma enfermeira o que aconteceu e ela respondeu que uma moça tinha sido assassinada.           

     Senti um calafrio, eu um assassino e, justo da pessoa que eu mais amava no mundo, fiquei ali sentado em um banco do corredor, e vi quando suas irmãs e seu pai passaram chorando. Logo ouvi voz de prisão, pois a foto que enviei a tarde estava em sua bolsa, com aquela frase tétrica! HOJE AINDA TE MATAREI QUERIDA! Estava também com minha assinatura.

      Não ofereci resistência naquele momento eu queria estar no lugar dela e tive a certeza que ela também me matara.

      O remorso e a voz da consciência começaram a me atormentar, já não queria continuar vivo, como poderia viver sem ela, coloquei a mão no pescoço e segurei um crucifixo que estava pendurado em uma corrente e pedi a cristo que tivesse piedade e me mandasse a morte, mas eu tinha que continuar vivo para pagar minha grande culpa.

       No dia seguinte foi seu enterro, escrevi um longo depoimento, falando do meu amor por ela, da grande saudade que iria sentir pela vida afora, do meu arrependimento, e que ela levasse junto com ela para a eternidade o meu coração. Pedi a minha irmã que comprasse um buque de rosas brancas e colocasse a carta entre as flores e jogasse em cima de seu caixão quando estivesse baixando a sepultura, como ultima despedida.

        A cadeia ficava a uns 300metros da igreja aonde ela entraria pela ultima vez

       Minha irmã me falou que ela estava linda, com um rosto sereno e vestindo o seu vestido de noiva, o mesmo que ela usaria no dia do nosso casamento então desfeito.

       Os sinos soavam tristes, compassadas e cada badalada parecia uma acusação contra a mim  pois eu sabia que ela estava partindo por minha culpa, olhava minhas mãos e as odiava, as mesmas mãos que tantos carinhos lhe fizeram foram capazes de lhe tirar a vida.

       Dali para frente meus dias e minhas noites foram todos iguais, sem ela nada mais me importava, meus sentimentos foram de culpa e saudades veio o dia do julgamento, fui condenado a 20 anos de reclusão, não esbocei nem uma reação, para mim tanto fazia estar preso ou solto, pois ela já não estava junto a mim senti  também remorso  por ver o sofrimento de meus pais e irmãos chorando no portão da delegacia, no dia que fui transferido para a penitenciária da capital minha mãe abanando suas mãos num gesto de desespero.

       Na prisão conheci todos os tipos de delinquentes e marginais. Cumpri minha pena costurando uniformes para os presidiários e como por lá todos tem um apelido, o meu foi o moço triste.    

      Quando fui posto em liberdade sabia que ainda faltava a justiça divina, pois sei que um dia terei que me apresentar diante de Deus para ser julgado, não se pode esquecer o que ele deixou escrito no quinto mandamento. Não Matarás! E se tiver alguém que esteja lendo este meu depoimento e esteja pensando em tirar a vida de alguém mesmo que esteja cego de amor e de ciúme, pense duas vezes, e jamais cometa este ato extremo.

     Você jamais poderá fugir da própria consciência, ela será implacável, e até o fim dos seus dias você jamais terá paz, pois o pior castigo de um ser humano é carregar o nome de ASSASSINO!

3 comentários:

  1. Estas são historia de minha autoria.Gostaria de receber sua opinião! Obrigada

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  2. Tia:
    Esse homem casou-se novamente com uma mulher linda (ele também era) Sempre que podia conversávamos.
    Soube mais tarde que o filho do casal, seu primogênito, suicidou-se com um tiro na cabeça, NA CAMA DOS PAIS, Ato que devastou suas vidas, sobretudo pelo garoto ter escrito um bilhete dizendo-se infeliz e que não pertencia a esse mundo.
    Já se passaram longos anos. Ainda lembro bem das feições dela- linda, seu cabelo castanho acobreado, e dos lindos olhos verdes dele- do pai. O "assassino" que praticou aquele crime ainda muito jovem, num momento de loucura de amor.Ele arrependeu-se e dizia: Coitadinha, ela deveria estar viva e feliz, se pudesse a traria de volta à vida.

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